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A cirurgia de catarata pode, além de remover o cristalino opacificado, reduzir significativamente a dependência de óculos para leitura, uso de computador e visão à distância. Isso é possível graças ao planejamento refrativo cuidadoso e à escolha individualizada da lente intraocular (LIO) implantada no lugar do cristalino natural.

A presbiopia, popularmente chamada de “vista cansada”, é a perda progressiva da capacidade de focalizar objetos próximos, decorrente do envelhecimento natural do cristalino e da perda de elasticidade do músculo ciliar. Ela afeta aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas no mundo e costuma se tornar perceptível a partir da meia-idade, especialmente ao ler, usar o celular ou realizar tarefas de curta distância.

Como a cirurgia atua sobre a presbiopia

Na cirurgia de catarata, o cristalino opacificado é removido por facoemulsificação e substituído por uma lente intraocular artificial. Como essa lente pode ser calculada e planejada para diferentes objetivos de foco, o procedimento permite tratar a catarata e, simultaneamente, corrigir de forma funcional a presbiopia.

O objetivo do planejamento não é apenas remover a opacidade do cristalino, mas definir junto ao paciente qual será a prioridade visual: máxima nitidez para longe, maior autonomia para distâncias intermediárias — como computador e painel do carro — ou redução também da necessidade de óculos para leitura de perto.

Essa escolha depende do alinhamento entre expectativa do paciente, exame ocular detalhado e as características ópticas de cada tecnologia de lente disponível.

Opções de lentes intraoculares

EstratégiaPrincipal benefícioPossível limitação
Lente monofocalExcelente qualidade óptica para uma distância definida, geralmente longeCostuma manter necessidade de óculos para leitura e computador
Monovisão planejadaUm olho priorizado para longe e outro para perto/intermediárioRequer adaptação; independência total de óculos é menos previsível que multifocal bilateral
Lente EDOF (foco estendido)Boa visão de longe e intermediária, reduzindo parte da dependência de óculosLeitura muito próxima pode ainda exigir óculos; pode haver halos leves
Lente multifocal/trifocalMaior chance de autonomia para longe, intermediário e pertoMais halos, glare e redução de sensibilidade ao contraste, sobretudo em baixa luminosidade

Revisões sistemáticas mostram que lentes multifocais e trifocais aumentam a chance de independência de óculos em comparação às monofocais, mas com maior incidência de fenômenos ópticos noturnos, como halos e ofuscamento. Essa informação deve sempre ser discutida antes da cirurgia.

A avaliação individualizada é essencial

A melhor lente não é igual para todos os pacientes.

A indicação depende da saúde da córnea, da superfície ocular, da retina, do nervo óptico, do grau de astigmatismo, dos hábitos profissionais, da frequência de direção noturna e da expectativa realista quanto ao uso de óculos após a cirurgia.

Por exemplo, quem lê muito e trabalha longas horas ao computador pode ser um bom candidato a uma lente multifocal ou trifocal, aceitando a possibilidade de adaptação aos halos.

Já quem valoriza qualidade visual em ambientes escuros ou dirige com frequência à noite pode se beneficiar de uma abordagem mais conservadora, como lente monofocal, monovisão selecionada ou EDOF.

A decisão deve ser sempre compartilhada, com base em evidências científicas e nas limitações reais de cada opção.

Resultados esperados e segurança

Uma metanálise em rede com 32 estudos observou maior chance de independência completa de óculos com lentes multifocais bilaterais em comparação à monovisão, ainda que com maior ocorrência de glare. A visão binocular sem correção para longe e perto não diferiu de forma significativa entre as estratégias avaliadas.

A cirurgia de catarata é um procedimento altamente consolidado, mas, como toda cirurgia intraocular, exige:

Resultados excelentes dependem da combinação entre técnica cirúrgica adequada, cálculo correto da lente e uma conversa transparente sobre objetivos visuais realistas.

Perguntas frequentes sobre catarata e presbiopia

A cirurgia de catarata corrige a presbiopia?

Pode corrigir ou reduzir significativamente seus efeitos funcionais, desde que a lente intraocular seja planejada para ampliar a visão sem óculos em uma ou mais distâncias.

Toda pessoa com catarata pode usar lente multifocal ou trifocal?

Não. A indicação depende de exame oftalmológico detalhado e da ausência de alterações relevantes na córnea, retina, nervo óptico ou superfície ocular, além da avaliação das expectativas e da tolerância a possíveis halos.

Lente trifocal elimina os óculos definitivamente?

Ela aumenta a chance de independência para longe, intermediário e perto, mas não garante ausência absoluta de óculos em todas as situações, especialmente em leitura prolongada ou em ambientes pouco iluminados.

Halos são comuns após lentes multifocais?

Sim. Eles podem ocorrer com maior frequência em lentes multifocais, trifocais e algumas EDOF quando comparadas às monofocais, com intensidade e adaptação variando entre os pacientes.

O que é monovisão na cirurgia de catarata?

É uma estratégia em que um olho é planejado para visão de longe e o outro para perto ou intermediário. Reduz a dependência de óculos, mas exige adaptação sensorial e, em média, oferece menor independência completa do que lentes multifocais bilaterais.

Qual é a melhor lente para mim?

A melhor lente combina saúde ocular, exame biométrico, necessidades diárias e expectativas realistas, sendo definida individualmente após consulta e discussão clara dos benefícios e limitações de cada tecnologia.

Dra. Yana Catunda: excelência técnica e formação de referência

A Dra. Yana Catunda é oftalmologista graduada pela USP, com residência em Oftalmologia no HCFMUSP — onde atuou como preceptora — e fellowship em Retina Cirúrgica pela mesma instituição, além de atuação contínua em assistência e ensino no Setor de Catarata do HCFMUSP.

Sua experiência integrada entre retina cirúrgica e cirurgia de catarata permite avaliar com precisão casos complexos, incluindo pacientes com comorbidades retinianas associadas à opacidade do cristalino.

No planejamento da correção da presbiopia durante a cirurgia de catarata, a Dra. Yana se destaca pela avaliação pré-operatória minuciosa, pela escolha individualizada entre lentes monofocais, tóricas e multifocais e por uma condução didática do tratamento, com explicação clara de cada etapa e construção de decisões compartilhadas com o paciente.

Fontes