O anel intraestromal (ICRS) é um implante cirúrgico utilizado para regularizar a curvatura da córnea em pacientes com ceratocone, sendo indicado principalmente para quem não tolera lentes de contato ou não alcança boa visão com elas. O procedimento não cura a doença — sua função é principalmente óptica, melhorando a qualidade visual dentro da irregularidade corneana existente.
Como o anel atua na córnea
O ICRS consiste em pequenos segmentos implantados no estroma corneano, que atuam mecanicamente para achatar a região central da córnea e reduzir o astigmatismo irregular característico do ceratocone.
Diferentes modelos estão disponíveis — como INTACS, KeraRing, Ferrara Ring e MyoRing — cada um com desenho, espessura e arco de implantação próprios, o que influencia o perfil de eficácia e complicações de cada caso.
Uma tecnologia mais recente, os anéis intraestromais alogênicos (CAIRS), utiliza tecido corneano doado em vez de material sintético.
Para quem o anel é indicado
A indicação do ICRS depende de critérios clínicos específicos, definidos a partir da gravidade da doença e da resposta a tratamentos prévios:
- Pacientes com ceratocone, com córnea ainda transparente (sem cicatrizes centrais densas) e espessura suficiente para acomodar o implante.
- Pacientes com intolerância a lentes de contato rígidas ou esclerais.
O que esperar do resultado
As evidências científicas mostram resultados consistentes:
- Uma revisão sistemática de resultados cirúrgicos do ICRS, utilizando um sistema de graduação específico para ceratocone, confirmou ganho visual relevante na maioria dos pacientes operados, com perfil de segurança adequado quando os critérios de indicação são respeitados.
- Estudos com anéis alogênicos (CAIRS) mostraram melhora média de 0,37 logMAR na acuidade visual corrigida e 0,43 logMAR na acuidade sem correção, em análise conjunta de 442 olhos operados.
- A mesma análise identificou redução média de 4,49 dioptrias na ceratometria máxima (Kmax), com taxa de eventos adversos graves de apenas 0,2%.
Vale reforçar: o objetivo do anel não é eliminar totalmente a necessidade de óculos ou lentes de contato, mas sim regularizar a córnea a ponto de tornar essa correção óptica viável e mais confortável.
Limites e cuidados
O ICRS não trata a causa do ceratocone nem impede que a córnea continue a se deformar ao longo do tempo — por isso, frequentemente é combinado ao crosslinking, que cumpre esse papel de estabilização biomecânica.
Além disso, os resultados variam conforme a gravidade do caso e o modelo de anel escolhido, sendo fundamental uma avaliação individualizada por tomografia corneana antes da indicação cirúrgica.
FAQ: anel intraestromal
O anel intraestromal cura o ceratocone?
Não. Ele melhora a qualidade visual regularizando a curvatura da córnea, mas não reverte sua causa biomecânica.
Depois do anel eu ainda preciso de óculos ou lentes de contato?
Em uma boa parte dos casos, sim, embora com qualidade visual superior e maior facilidade de adaptação em comparação ao período anterior à cirurgia.
Qual a diferença entre os modelos de anel disponíveis?
Cada modelo (INTACS, KeraRing, Ferrara, MyoRing, CAIRS) tem desenho e material próprios, com diferenças em customização, perfil de eficácia e taxa de complicações, conforme revisões comparativas.
O anel serve para qualquer estágio do ceratocone?
Não. É indicado principalmente para ceratocone com córnea transparente e espessura adequada; casos com cicatrizes centrais podem não ser bons candidatos.
O anel substitui o crosslinking?
Não. São tratamentos complementares: o anel melhora a visão por meio da regularização mecânica da córnea, enquanto o crosslinking impede a progressão biomecânica da doença.
Dr. Matheus Timm: experiência com implante de anéis intraestromais
O Dr. Matheus Timm é oftalmologista especialista em Ceratocone e Cirurgia Refrativa, com formação pela USP. Sua atuação no manejo do ceratocone inclui a avaliação individualizada para definir a indicação do anel intraestromal, a escolha do modelo mais adequado ao padrão de irregularidade de cada córnea.
Referências Bibliográficas
- TLAISS, Y. et al. Intrastromal corneal ring segments for keratoconus. 2025. PMID: 40977849.
- ALIÓ, J. L. et al. How successful is the surgical treatment of keratoconus? 2014. PMID: 24669139.
- MANDATHARA, P. S. et al. Outcome of keratoconus management: review of the past and current state of the art. Clinical Ophthalmology, 2017. PMID: 27171132.
- FRIEDRICH, M. et al. Visual and topographic outcomes after Corneal Allogeneic Intrastromal Ring Segments (CAIRS). 2025. PMID: 40157443.
- Corneal Allogeneic Intrastromal Ring Segments for Treating Keratoconus – Systematic Review and Meta-Analysis. 2026. PMID: 41901604.
- SON, H. S. et al. Advancements and innovations in keratoconus management. 2025. PMID: 41226888.
- SINGH, R. B. et al. Minimally invasive approaches to management of keratoconus. 2025. PMID: 40277277.